Você ainda não está pronto pra pedalar de novo

bike

A gente sempre acha que vai demorar mais pra isso acontecer. Na verdade, nem para pra pensar sobre esse momento, em como será nossa reação. Depois de um rompimento, a ideia de se sentir mexido (a) por uma pessoa nova e completamente desconhecida parece estar muito longe da nossa realidade.

Nem lembrava mais da última vez que eu vivi toda essa parada de se sentir vulnerável de novo, do frio na barriga, da cabeça confusa. De se importar se a pessoa vai gostar da sua roupa, com o que vai falar e qual imagem vai transmitir. É muito louco pensar que, depois de viver toda a intensidade e entrega de um relacionamento, a gente volta pro mundo dos solteiros com a mesma insegurança com a qual saiu dele.

Engraçado, né? A gente pensa que vai estar mais forte, carregando aquela postura inabalável de quem já tem muita experiência de vida, de quem já é calejado. Curioso como quando o coração dispara de novo, e pela primeira vez em tanto tempo, nada do que passamos até então nos dá mais coragem, mais sabedoria.

Nada a ver. Estamos ainda mais confusos. “Desculpa aí, cara, é que eu não sei mais lidar com isso não”.

Na verdade é que a gente não se sente preparado, disponível, curado. É como quando temos que passar remédio em uma ferida que tá criando casquinha. Ainda arde um pouco, sabe? Não tanto quanto no dia em que você caiu, mas ainda arde. Ainda dói.

Você olha pro machucado e lembra como foi aquele dia. Recorda como a ferida queimava e latejava após “a queda”. Lembra que parecia que nada faria aquela dor passar. Daí você volta seu pensamento pra hoje, pra ferida com a casquinha criada. Pô, que comparação nojenta, eu sei. Mas pra mim faz todo sentido.

E a gente sabe que depois disso, a casquinha vai saindo aos poucos, e aí surge uma cicatriz zoada, que com o tempo vai sumindo. Foda é que a gente sabe que algumas ficam ali para sempre, né? Ou ela fica em algum lugar que você não vê o tempo todo, mas quando você passa os dedos… sente a alteração na pele. E aí te faz lembrar daquele dia de novo, mas por sorte, agora, você não precisa mais remediar, somente esquecer.

A gente tem que entender que quando a ferida ainda tá com casquinha, as pessoas se afastam. Se afastam porquê é feio, porque é estranho. Nós mesmos criamos um certo repúdio, devido ao significado que ela carrega.

Tem que esperar cicatrizar para aquele desespero não bater de novo. Pro coração disparado e o frio na barriga voltarem a ser sinais de que algo bom pode acontecer. Tem que esperar o tempo certo para as coisas. Mas hoje você vai ter que se conformar que tudo isso não passará de um sinal de perigo.

É porque você ainda não tá pronto.

Lembre-se de que você já caiu outras vezes e que, embora o estrago tenha sido menor, você também teve que se recuperar. Talvez o machucado tenha sangrado menos naquela hora, mas doeu igual. A queda, o susto, a decepção. Você sofreu do mesmo jeito.

Vai chegar o dia em que, assim como as outras cicatrizes, você vai olhar pra esta última e pensar nos bons momentos. E a lembrança da dor vai estar tão longe de onde você está que a coragem pra pedalar de novo vai ser natural, sem traumas e ressentimentos. É tipo cair de bicicleta mesmo! Você olha pra aquela cicatriz, que um dia foi um joelho ralado, e pensa: doeu, mas aquele dia foi lôco! Bora pra próxima maratona? 

 

 

 

Dedico esse texto para minhas grandes amigas Analli Carvalho e Fernanda Mota.

 

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