Rumo à Berlin: Como foram os meus últimos dias no Brasil

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Confesso que há alguns meses atrás, quando decidimos que passaríamos uma temporada vivendo na Alemanha, eu achava que, a essa altura do campeonato, às vésperas da viagem, eu estaria surtando. Isso porque naquele momento eu já estava à beira de um ataque de nervos. Mas daí eu pensei “porque passar meus últimos dias no Brasil nervosa, estressada, curtindo a foça da saudade que nem comecei a sentir?”.

Sou ariana, meu bem. Daquelas bem intensas mesmo, saca? Se eu tô feliz, eu fico radiante, mas se estou triste, é quase uma depressão. Se estou ansiosa ou nervosa, ninguém me suporta. Aliás, obrigada a todas as pessoas que me aturaram esses dias e não desistiram de me dar forças!

Foram quase três meses de mudança. Acho que pra mim foi mais fácil, pois eu pude fazer todas as coisas que eu queria aos pouquinhos, estar com todo mundo que gosto, curtir meus Pets e providenciar o que era necessário para viajar. O que acabou dando mais trabalho foram os trâmites para levar o Wisky, meu cachorrinho. Além de todo processo que tive que cumprir para tirar o CZI dele (é um tipo de passaporte para que ela possa transitar internacionalmente), ainda tive que lidar com uma dieta forçada para ele entrar no peso padrão da companhia aérea. Confira nesse e nesse post.

Willian, meu marido, chegou pouco antes do Natal. Pra ele a mudança foi muito brusca. Ele foi pra lá em Outubro e passou mais de dois meses sozinho na Alemanha. Teve que se virar, montar a nossa casa, aprender as manhas de morar na gringa… Tudo isso sozinho. E a madame aqui, morando com a mamãe e recebendo mimos de todos! Rs. Apesar disso, não sei se posso dizer que foi mais fácil pra mim. As nossas personalidades são muito diferentes, e acho que acaba tudo na mesma balança.

Ele é um cara prático, determinado, centrado e equilibrado. Como eu passei a admirá-lo ainda mais depois que vi o quanto ele se saiu bem por lá! Desenvolveu o inglês, se virou bem em casa, tudo na maior tranquilidade. Em contrapartida, eu aqui no Brasil tive apoio de todas as pessoas possíveis. Até quem não era tão próximo, deu um jeitinho de apoiar. Me surpreendi com a quantidade de pessoas que se aproximou de mim! Uns por carinho e amizade por mim, outros por saberem o quanto eu estou sofrendo pelo fato de ficar distante da minha família, outros por ficarem felizes com a oportunidade que tivemos.

Seja pelo motivo que for… Foi muito bacana curtir esses últimos meses. Tive alguns momentos complicados de lá para cá, como a tristeza de não poder levar o Alvin conosco, as crises de ansiedade e pânico que tive que me tratar pra controlar e os preparativos pra mudança em si. Mas eu também consegui rever amigos que  não encontrava há um tempo, curti muito os meus pais e meus parentes mais próximos, e aproveitei muito cada segundo com o Nico, meu outro cachorro (que acabou escolhendo a minha mãe porque né… ela é muito melhor que eu mesmo) que ficará no Brasil.

Depois que voltei da praia, após a virada de ano, foi que caiu a ficha. O mês de dezembro quase sempre passa muito rápido, mas este passou num piscar de olhos. Quando me dei conta, já era janeiro, e em poucos dias, a data da nossa viagem chegaria. E chegou. Amanhã, às 19h, estaremos no avião rumo à Berlin.

Nesse último fim de semana fizemos algumas despedidas para o pessoal mais próximo. Na sexta fomos a um Pub com a família do meu marido, no sábado fomos a um espetinho com meus familiares e amigos, e domingo mais um encontro com os Campidelis. Entre tudo isso, fui recebendo visitas importantes de algumas tias e primos queridos, e muitas mensagens de amigos querendo me dar um abraço de boa sorte.

Nunca imaginei que fosse tão querida. Eu tenho plena consciência de que sou bem chata e difícil de aturar… Rs então realmente me surpreendi com tanta energia positiva. Não escondo de ninguém que estou emocionada… Choro em cada abraço ou ao ouvir qualquer palavra incentivo que, apesar de darem uma sensação imediata de tristeza, revigoram a minha coragem e o entusiasmo para seguir em frente.

Por enquanto estou fingindo que não vai chegar a hora de me despedir dos meus pais, do Tunico, do Alvin, do meu irmão e da família dele. Certamente essa será a parte mais dolorida. Por sorte, sou a única exagera da família! Todos estão serenos, tranquilos e firmes. Eu sempre soube que eles eram a minha base, mas não fazia ideia do quanto eles são importantes pra mim. Sim, vai doer pra caralho e eu me permito usar esse palavrão por que ele potencializa o sentimento. Mas tô aprendendo a focar nas coisas boas, em tudo que nos aguarda por lá, na chance de conhecer uma nova cultura, de poder estudar e de amadurecer junto com o Willian.

Estou aprendendo (aos poucos, confesso) a usar a minha razão para controlar meus sentimentos. A Natalia de sempre estaria chorando dias e noites, se despedindo dos outros como se estivesse em estado terminal. Credo! Mas tô empenhada em fazer dessa Natalia versão 2016 uma mulher forte, coerente e um pouco mais sábia. Não estou dando adeus para ninguém… Deixo o meu Até Breve para todos aqui no Brasil.

Por sorte, temos tantas formas de nos comunicar que a saudade vai dar uma aquietada dentro do coração. É isso aí… Foco nas coisas boas!

O próximo post vai sair direto de Berlin… O que será que vem por aí, hein? 🙂

Beijos!

 

Música do momento: Amigo Velho <3

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