Não deixe que os números das suas roupas determinem quem você é

calça jeans apertada - getty images - ok

Não dava mais para adiar. Não tinha como fugir. Infelizmente tive que ir ao shopping comprar roupas para mim. Calças jeans, para ser mais exata. Apesar de adorar roupa nova, como quase todas as mulheres, todo o ritual que envolve o processo de compra nunca me agradou. Minha mãe bem sabe o porre que era ter que me levar para as compras de final de ano! Pra festa “chique”, então, era praticamente um castigo. Sempre detestei o calor dos provadores, a encheção de saco das vendedoras, aqueles malditos espelhos que parecem que engordam uns 20kg na gente.

Passei pelos corredores das calças e fui escolhendo o tipo de jeans que cai melhor: Skinny tamanho 42 com cintura média. Ops. Péra. Eu já pulei pro 44 no ano passado, quando comprei calças pela última vez… E para a minha surpresa, no provador, me deparei com a verdade: as calças de tamanho 44 não estavam mais servindo em mim.

Fiquei em pânico por alguns segundos e pensei em ligar pro meu marido, chorando, até que tive uma ideia melhor. Saí do provador e busquei todas as calças que tinha provado, só que nos tamanhos 46, voltei para o provador e comecei a comparar os tamanhos das calças 46 com a 42 que eu estava vestindo. Eram iguais. Calça jeans geralmente tem dessas, e como o povo diz, “depende da forma”.

Me senti um pouco mais aliviada e levei duas peças que caíram bem, mas o fato de que as minhas calças novas eram 46 ficou martelando na minha cabeça. Foi a primeira coisa que contei pra minha mãe, quando fui buscar o Wisky na casa dela, e também pro meu marido, quando nos encontramos à noite. Apesar de estar meio encanada, não estava triste, e quando vesti uma delas para ir ao trabalho no dia seguinte, me senti muito bonita. Aquele 46 não me derrubou!

Há tempos venho tentando desencanar dos padrões de beleza. Confesso que não é fácil, pois apesar de gostar do meu corpo como está atualmente, bate uma certa depressão quando me comparo a outras mulheres. Sempre tive um problema com essa coisa da comparação… Quando me olho no espelho, gosto do que vejo, quando visto minhas roupas, me sinto confortável, mas quando entro no Instagram e vejo as fotos da Jana Motta, é como se esquecesse de tudo isso rs.

Não estou nem perto do peso que os médicos e educadores físicos dizem que é o ideal para minha altura (1,67cm). Aos 18 anos, pesava 55kg. Aos 21, 65kg. E hoje, com 23, nem lembro mais qual foi a última vez que me pesei. Já devo ter passado dos 75kg, certamente.

Tenho navegado por muito mais tempo nos blogs de moda plus size do que nos que eu costumava “frequentar”. Me identifico mais com essas proporções, com as dificuldades e os preconceitos que nós, as gordinhas, encontramos no mundo fashion. Quando assumo que sou “plus size”, muita gente discorda. Mas qual o problema em ser e assumir o seu próprio biotipo e o rótulo que foi criado pela moda para me definir? Porque diabos eu vou ficar me enganando, buscando um corpo que não é o meu?

Todos os dias, venço uma batalha travada comigo mesma há muitos anos. Uma batalha que deveria ser encarada de frente por todas nós mulheres, que é o processo de aceitação. Tento me enxergar como eu realmente sou, sem ficar idealizando como eu gostaria de ser, sabe? Encaro os quadris largos, as sardas no rosto, a pele branquela, as unhas quebradiças, o cabelo rebelde… E sorrio. Não porque eu me acho perfeita, mas sim porque hoje sou a melhor versão de mim mesma!

Eu prefiro ser FELIZ do que ser magra.

 

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Via: comoeumesintoquando

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