Como viajar com animais de estimação para Berlin Parte 1 – Processos e exigências pra Cães

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Ohana quer dizer família, e família quer dizer “nunca abandonar ou esquecer”. (Lilo e Stich – Filme)

 

Eu sempre brinco com o Will que desde que nos casamos, nunca fomos apenas um casal. O Alvin (nosso porquinho da índia) veio morar com a gente logo na primeira semana, e dois meses depois o  (nosso Shitzu) também já fazia parte da gangue. Nossos peludos não são apenas animais de estimação, eles são membros da nossa família!

A primeira foto da família completa! <3
A primeira foto da família completa! <3

 

A decisão de nos mudarmos para Berlin só foi tomada quando confirmamos que seria possível levá-los com a gente. Por sorte, encontrei esse post do blog “Pequenos Monstros” logo na primeira pequisa, o que me tranquilizou muito! <3

A Debbie Corrano e o Felipe Pacheco são um casal muito fofo que decidiu morar em vários países diferentes e registra todas as experiências deles no blog! #tantacoisaemcomum

Nesse post, eles contam todos os detalhes sobre o que foi preciso fazer para levar os dogs Luca e Lisa nessa jornada. Coincidentemente, o primeiro destino deles também foi Berlin, então deu para seguir religiosamente esse roteiro vivido e validado pelo casal!

O post deles está bem completo e serve como um guia geral para qualquer pessoa que queira levar seu animalzinho para a União Europeia. Eles falam sobre segurança, companhia área, documentação, exames, planejamento, custos… tudo!

Eu vou postar as etapas do processo – que ainda está em andamento – já que estamos levando dois animais de espécies diferentes. Antes de começar, quero pedir duas coisas para vocês: quero que vocês considerem esse post como válido só quando pisarmos em Berlin com nossos peludos. Até lá, os nossos planos podem mudar. A 2ª coisa é que vocês rezem e torçam junto com a gente para que nossos planos não mudem! rs. Dá um trabalhão pensar em tudo, correr atrás das informações e é muito ruim lidar com o medo de que algo dê errado.

Eu decidi começar com as informações do Wisky, nosso cãozinho, pois é o processo mais trabalhoso. As informações sobre o transporte do Alvin ainda estão meio cruas, por isso vou tratar em outro post, quando tudo estiver alinhadinho.

O trampo para se levar um cachorro (as orientações básicas também servem para gatos) para outro país é muito grande. Todos os trâmites que envolvem a documentação e a liberação para embarque do animal devem começar no mínimo 4 meses antes de viagem. No nosso caso, a coisa estava tão iluminada por Deus que todas as datas coincidiram com o planejamento geral da mudança.

Para que o Wisky possa viajar com a gente, foi necessário providenciar todos os exames e documentos exigidos para emissão do CZI. O Certificado Zoossanitário Internacional é o documento que atesta que o bichinho tem todas as condições sanitárias exigidas para o trânsito internacional até o país de destino.

O que é preciso pra conseguir o CZI: aplicar um microchip subcutâneo no animal, vaciná-lo contra raiva, coletar uma amostra de sangue dele para processamento de uma sorologia, no laboratório autorizado pela UE, exame que comprovará que ele não possui raiva, agendamento com o Vigiagro no GRU e demais providencias pro embarque.

1. Microchipagem: O microchip é um micro-circuito eletrônico, de tamanho aproximado a um grão de arroz, implantado sob a pele. O microchip para animais contém um código exclusivo e inalterável que transmite informações específicas sobre ele, que serão checadas no embarque e na chegada ao país de destino. (Mais informações sobre o processo aqui)

Mais ou menos 5 meses antes da data prevista para o embarque, você deve microchipar o seu cão. Depois disso, você deve vaciná-lo contra raiva em uma clínica particular. Comprovantes de vacinação realizada em mutirões da prefeitura, por exemplo, não são aceitos. Ah, é obrigatória a aplicação do microchip antes da vacina, ok?

Nós fizemos a aplicação do Microchip dele no Instituto Veterinário de Imagem e o custo foi de 150 reais. Basta agendar o horário e levar o animalzinho. O processo é rápido e indolor, pode ficar tranquilo!

2. Vacinação e coleta de sangue: 30 dias após a aplicação da vacina anti rábica – é preciso esperar esse tempo para que o bichinho produza os anticorpos acionados pela vacinação –  nós levamos o Wisky para coletar a amostra de sangue no mesmo local onde aplicamos o microchip.

Quando contei o motivo do agendamento da coleta, a equipe do IVI já sabia todos os procedimentos necessários e ficaram responsáveis pelo envio da amostra para o Laboratório de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores, único laboratório responsável e reconhecido pela UE para processamento desse exame no nosso país.

Esse exame solicita o Laudo da Sorologia Anti-Rábica e o número de anticorpos que seu pet precisa ter é de no mínimo, 0,5 UI/ml. Esse resultado assegura que ele não possui raiva.

  • Data da vacinação anti rábica do Wisky: 11/07/2015 na clínica da Dra. Satie Kano. Informações que devem ser preenchidas na carteirinha de vacina do seu animal para emissão do CZI: selo desta última vacina constando fabricante, lote e data de fabricação, data da vacina, validade, o carimbo e a assinatura do seu veterinário. Custo: 80 reais.
  • Data da coleta do sangue para sorologia dele: 13/08/2015. O processo me assustou um pouco no começo, pois eles coletam da jugular (veia do pescoço). É um processo indolor e confortável para o animal e o sangue coletado é de melhor qualidade para a análise. Wisky não esboçou nenhuma reação, ficou quietinho e foi bem rápido. Mais informações sobre como é a coleta de sangue nesse link. Custo: 298 reais.

3. Processamento e resultado da sorologia: O resultado da sorologia do Wisky chegou no dia 10 de setembro, pouco menos de um mês após a entrada na amostra no laboratório. Como ele é um cãozinho jovem e saudável, e as suas vacinas estão super em dia, não tivemos problemas! O resultado deu 5,40 Ul/mL, bem mais que o mínimo exigido.

4. Entrada com o pedido de CZI: É preciso esperar 90 dias contados a partir da data da coleta do sangue – ou seja, até o dia 10 de novembro – para entrarmos em contato com o VIGIAGRO do Aeroporto de Guarulhos (telefone: (11) 2445-3683) e pedirmos uma orientação sobre os próximos passos.

Seguindo o que foi feito pela Debbie e pelo Felipe, nós teremos que agendar por telefone um horário com ele no máximo, 10 dias antes do nosso embarque. Como nós ainda não temos essa data, precisamos ficar muito atentos. A ideia é viajarmos para Berlin na primeira semana de janeiro, portanto, precisamos salientar possíveis folgas e emendas do pessoal que trabalha nesse departamento. Também é necessário solicitar um modelo de Atestado de Saúde, seguindo as exigências da Alemanha.

5. Encontro com a Vigiagro e Atestado de Saúde: 

No dia marcado no contato por telefone, será necessário levar um Atestado de Saúde Veterinário emitido em até 72 horas antes do seu horário na Vigiagro. Logo, teremos que marcar uma consulta com a Dra. Satie assim que souber a data do agendamento. Esse atestado tem validade de somente 3 dias corridos (72 horas) até a emissão do CZI. Se a gente passar desse período, nosso documento será invalidado.

O Atestado de Saúde deverá ser datado, assinado e carimbado com o nome do Médico Veterinário particular e respectivo número de registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária. Esse documento deverá conter a identificação completa do animal: nome, espécie, sexo, raça, data de nascimento, idade, número de identificação do microchip ou tatuagem, quando exigidos, cor, tipo de pelagem, data de nascimento, além do nome completo, endereço, telefone para contato e documento de identificação do proprietário do animal (documento de identidade ou passaporte).

No Atestado de Saúde o Médico Veterinário responsável deverá declarar que “o(s) animal(ais) identificados foi(ram) POR MIM examinado(s) estando clinicamente sadio(s), não apresentando sinais de doenças infecto contagiosas e parasitárias à inspeção clínica e apto(s) para o transporte, na data da emissão deste documento”. Esta informação deverá constar de todos os atestados de saúde expedidos como subsídio à emissão do CZI.  Alguns países possuem exigências específicas que precisam ser declarados (o dono precisa checar isso).

Próximos passos: Na semana que vem, farei esse primeiro contato com o Vigiagro, vou bater essas datas com ele e marcar o dia para emissão do CZI. Até lá, o Will já saberá a data da nossa viagem para Berlin. Em paralelo, vou procurar a melhor caixa de transporte para ele e fazer de tudo para que ele possa ir comigo na cabine. A ideia de despachá-lo e ficar longe dele pelas 12 horas do vôo me apavora! Também vou continuar na batalha para entender o que é necessário para levarmos o Alvin.

Quando esses três pontos estiverem concluídos – Emissão do CZI, Viagem do Wisky e Trâmites do Alvin – eu faço posts novos e detalhados.

Conto com a torcida de vocês para que tudo dê certo! Se souberem de alguma informação que possa me ajudar, ou se tiverem alguma dúvida, é só comentar! 🙂

Beijos <3

 

 

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