ENCARANDO O MEDO DE VIAJAR SOZINHA

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Olá, gente independente e corajosa!

Como a maioria já sabe, faltam 10 dias para minha viagem pro Brasil. Foram quase 6 meses vivendo aqui na Alemanha, descobrindo uma nova cultura, uma nova rotina e novos sentimentos. Entre eles, uma sensação que tem me tirado a paz nos últimos dias: o medo de viajar sozinha.

Pra ser sincera, eu tenho medo de muita coisa: de me perder, de lidar com imprevistos, de presenciar algum crime, e até mesmo morrer. Fora que eu sou uma pessoa completamente desorientada. Eu poderia redigir linhas e linhas de situações que já vivi, mas basta que vocês leiam esse post do Buzzfeed, que vão entender exatamente quem sou eu na fila do pão. Leu? Então volta pra cá.

Mesmo morando numa cidade incrível como Berlin, cheia de atrações e coisas bacanas para fazer, eu fui tomar coragem para sair sozinha aqui um dia desses, meses depois da minha chegada. E olha que eu fui até a casa de uma amiga, morrendo de medo, e deu a maior zica na hora de comprar o bilhete. Porque né, sou eu. Tinha que ter emoção.

A droga da máquina de ticket do Tram tava de chico e resolveu não aceitar as minhas moedas, e tive que pedir ajuda pra um casal de alemães. Acabei falando meu inglês tabajara, e sei lá como, consegui fazer com que eles me entendessem. O rapaz até pagou o meu bilhete em nota, e a moça segurou meu cachorrinho, enquanto eu explicava para ele qual bilhete deveria comprar. Porra, eu deveria estar mesmo em pânico para dar a coleira do Wisky pra outra pessoa segurar. Eu morro de medo que roubem ele de mim.

Devolvi o dinheiro do moço, agradeci imensamente, e consegui cheguei até o local. Viram só? Uma coisa tão simples, tão besta, corriqueira, que acontece com qualquer um… Pra mim vira o fim do mundo por conta desse medo.

Tenho uma profunda admiração por essas pessoas que viajam para outras países sozinhas, que se viram, se jogam na vida, sem medo do que pode dar errado. Acho que eu jamais teria mudado de país, se não fosse pelo meu marido. Nem de cidade, nem de bairro. Aliás, eu já me perdi no meu antigo bairro também.

Em todos os momentos da minha vida, sempre tive alguém do meu lado para me ajudar as fazer as coisas. De certa forma, nunca tive que enfrentar isso que eu sinto, pois me apoiava nas pessoas que estavam sempre ali pra me ajudar. Toda minha família sempre foi muito atenciosa comigo, o que é muito bacana, mas acho que pecaram pelo excesso em me proteger demais do mundo.

Você pode me chamar de mimada, frescurenta e tantas outras coisas. Sei que pra quem tá na internet é muito mais fácil criticar a pessoa que se expõe, mas eu sinceramente não ligo. Acho que é bacana refletirmos sobre nossos defeitos, erros e limitações. Mais bacana ainda é decidir compartilhar isso, com o intuito de buscar e proporcionar ajuda. Muito mais interessante do que simplesmente ofender, sem nada a acrescentar.

Sei que não sou a única pessoa que tem esse tipo de barreira. Muita gente deixa de tomar decisões importantes na vida, ou deixam de conhecer lugares lindos, por puro medo de viajar ou estar sozinha. O medo e a insegurança, de uma maneira geral, impede muita gente de correr atrás de seus sonhos

Mesmo de malas prontas pro Brasil, vira e mexe, sinto um aperto no coração, uma ansiedade, uma dor de barriga. Para tentar resolver isso, hoje de manhã, listei todos esses sentimentos ruins – porque eu faço listas, sou assim – e depois, fiz uma espécie de auto feedback sobre cada um deles.

  • Medo de ficar perdida tentando encontrar o portão de embarque – É tudo muito visual, lógico e intuitivo lá na hora. Mas se eu me perder, basta eu perguntar para qualquer profissional/atendente. Se eu não conseguir falar, basta mostrar as passagens que vai dar certo.
  • Medo de demorar para achar minha poltrona e tumultuar o restante de passageiros – Se eu demorar, paciência. Basta pedir desculpa para as pessoas e exibir o Wisky. Ele sempre derrete o coração das pessoas e vai dar certo.
  • Medo de travar o inglês e não conseguir responder às perguntas feitas pela imigração – Meu inglês sempre funciona em momentos de pressão. Já constatei isso. Vou conseguir responder e vai dar certo.
  • Medo de pagar mico em qualquer momento e levar bronca desses alemães carrancudos de aeroporto – Pagar mico é algo que já faz parte da minha vida. Se eu levar bronca, basta me desculpar e sorrir. A maioria das pessoas sempre amolecem quando sou educada e doce. Vai dar certo.
  • Medo de que o Wisky engorde nos 45min do 2º tempo e não consiga embarcar comigo – Ele já atingiu o peso ideal para viajar (contei para vocês nesse post) e eu tô seguindo a dieta dele direitinho. Na semana que vem, é só fazer aquele esquema de dar mais legumes do que proteínas, e pronto. Vai dar certo.
  • Medo de que algo dê errado com a documentação do Wisky, e eu não consiga viajar come ele – Eu já revisei esse passo a passo umas mil vezes (já está tudo separado e tagueado) e tirei todas as dúvidas possíveis com todos os responsáveis. Basta pegar o CZI dele na semana que vem e pronto. Vai dar certo.
  • Medo puro e simples de não estar ao lado de ninguém conhecido – Eu vou estar com o Wisky o tempo todo! Com ele eu nunca estou só. Vai dar certo.

Eu sempre digo que quando a gente escreve um sentimento fica mais fácil lidar com ele. Parece que ele se concretiza e você sabe direitinho o que fazer, a partir de então. Esse lance de listar as coisas dá super certo. Pode parecer  Natalhice coisa de gente neurótica, mas é muito mais fácil tomar decisões quando tudo está claro dessa forma. Se não na nossa cabeça, pelo menos, em uma folha de papel, né?.

(isso me fez lembrar Miranda!)

Sei que a ansiedade não vai passar até o momento em que chegarmos em Guarulhos, e sei também que vai doer me despedir do Will. Ele sempre me acalma quando fico nervosa, e me explica tudo que não consigo entender, por conta disso. Vou ficar mais de um mês longe do meu melhor amigo. Há tanto tempo faço as coisas com ele, que bate um vazio por estar sozinha de novo. Mas acho que isso é até saudável para mim.

Todas as experiências que tenho vivido, mesmo que no meu tempo, estão me ajudando muito a crescer. Desde enfrentar e refletir sobre meus medos bobos, até realmente enxergar o quão maravilhosas são todas as oportunidades que a vida tem me dado. Tudo tem valido muito a pena!

Ah, e o mais importante nesse momento, é que também sei que maior do que qualquer sentimento ruim é a saudade da minha família no Brasil!

Tô chegando, BRASEEEL!

Beijos

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2 Comentários

  1. Vai dar tudo certo, ami… eu não tenho muita paciência e disciplina pra fazer listas, mas adorei o jeito de amar a si mesma. Te espero aquiiiiii!!! 🙂

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