Dia das Mães: Amanheceu, é hora de voar…

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Eu odiava a pré escola. Foram inúmeras dores de barriga inventadas e incontáveis pedidos do tipo “Tia, liga pra minha mãe e pede ela vir me buscar?”.

Certa vez uma amiga me convidou para passar o fim de semana na casa dela em Bertioga. Tinha piscina, jardim, cachorros para brincar. Respondi que sim de bate e pronto, mas cheguei em casa chorando, perguntando para a minha mãe “o que vai ser de mim sem você nesses três dias?”. O jeito foi ligar pra mãe da amiguinha e pedir desculpas, mas eu não poderia ir. Eu até sugeri dar a desculpa da dor de barriga, mas minha mãe achava que isso já tava batido demais.

Também não fui para Porto Seguro no terceiro colegial. Eu até queria, mas ela não deixou. Não fiz nenhuma questão também, sabe. Nunca fui de dormir na casa dos primos, das amigas. Em vinte e três anos, dá pra contar nos dedos as vezes que fiquei longe dela. E a nossa vida foi inteiramente assim, num grude só, mãe e filha. Unha e carne.

Esse ano, saímos da zona de conforto. Eu casei. Não moramos mais juntas. Não a irrito mais diariamente, com as minhas ironias e críticas ásperas. Não como mais o feijão delicioso nem tomo o café-com-leite mais incrível do mundo. Quando a gente se encontra, o abraço é mais demorado do que nunca. Rola uma tristeza, uma nostalgia, um sorriso emocionado.

Ainda tem um vazio aqui e lá, pensamentos que se cruzam o tempo todo, e a gente saca quando tô tirando o telefone do gancho pra ligar pra ela e, quando toca, é ela. Desfazer esse laço entre mãe e filha não está sendo fácil, mas nós duas temos consciência e discernimento para entender de que é assim que tem que ser. A missão dela como mãe está cumprida, digamos assim, e agora, só me resta caminhar e honrar tudo aquilo que ela me ensinou.

Esse Dia das Mães vai ser muito diferente dos outros anos. Não vai ter aquela sensação boa de acordar e pular na cama dela. Nesse ano, vai ter aperto no coração. Mas também vai ter sobremesa por minha conta e presentes especiais!

Enxuga o rosto, menina, tua mãe vai estar aqui sempre que você precisar.

Feliz dia das Mães, dona Nadir!

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Para ouvir…

Pássaros – Cláudia Leitte

 

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