Como viajar com pets pra a Berlin Parte 3 – A dor de ter que mudar os planos

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Usar a cabeça não mais à serviço do que meu coração quer, mas sim, para decidir o que é certo. Tá aí umas das coisas que esse lance de ir morar em Berlin tem me ensinado nos últimos tempos.

My little Guinea Pig <3
My little Guinea Pig <3

 

No post anterior, eu contei pra vocês quais são as documentações necessárias para levarmos o Alvin, nosso porquinho-da-índia, conosco para Alemanha. De fato, o processo é bem menos burocrático do que é preciso para levarmos o Wisky, nosso cachorro. Também já contei pra vocês todos os paranauês necessários para isso em outro post.

Porém, no final da semana passada, nós nos deparamos com uma série de imprevistos que nos fizeram repensar a nossa decisão.

Eu recebi uma informação totalmente equivocada de um dos atendentes de Lufthansa. No dia 19/11 entrei em contato com eles para esclarecer algumas dúvidas sobre o que seria necessário para levar o Alvin na viagem, já que a documentação já estava esclarecida.

Esse funcionário me disse claramente que nós poderíamos sim levá-lo conosco na viagem, inclusive, que seria possível viajarmos com nossos dois pets na cabine. Isso me deixou muito feliz e cheia de esperanças mas… Esse era só o começo de um enorme mau entendido e de muitas crises de ansiedade.

Passei uma semana viajando com a família, e no meu último dia de viagem, recebi uma ligação da pessoa responsável pela compra das nossas passagens (esse custo será pago pela empresa do Will) dizendo que, quando ela foi fazer a reserva dos nossos bichinhos no ato da compra, foi informada de que a empresa não transportava animais que não fossem cachorros ou gatos.

Chegando em São Paulo, liguei no mesmo número da Lufthansa, e comecei a cruzar as informações do primeiro contato com o que foi informado à empresa do Will. Realmente o cara tinha me dado informações erradas. Fiquei tão chateada com a notícia, que nem tive pique pra fazer escândalo… Só fiz questão de dizer o nome do funcionário, e deixar claro que isso havia afetado completamente os planos e os sonhos da minha família. 

Perguntei, então, se a moça saberia me dizer como eu poderia levá-lo, e se ela conhecia empresas que transportam outras espécies de animais. Só aí que ela me informou que a Lufthansa possui dois segmentos, um para transporte de pessoas, cães e gatos, e outro para objetos e animais considerados exóticos. Peguei o contato desse departamento, já emputecida com fato de que, para se obter informações sobre serviços no Brasil, você tem que ficar perguntando, extraindo informações. Parece que os funcionários não sabem o que estão dizendo e não se esforçam pra entender a necessidade do cliente.

Em contato com esse setor denominado Cargo (ou algo do tipo), fui informada que sim, eles transportam porquinhos-da-índia, PORÉM que não posso tocar o processo sozinha, pois eles não tratam direto com pessoa física, e que eu precisaria contratar os serviços de um Agente de Carga para fazer o trâmite pra mim. Esse cara é o Leonardo da PetWorkTravel, que mencionei no post anterior.

Mesmo sentindo uma pontinha de esperança… Levei um outro balde de água fria. Os prováveis custos envolvidos em todo esse processo para levá-lo são bem superiores ao que podemos pagar nesse momento. Juntando a taxa do serviço Leonardo, mais a “passagem” do Alvin, + a caixinha de transporte… dá um valor bem salgado pra gente dar conta agora.

E como se não bastasse essa tristeza, ainda recebi notícias ruins relacionadas a outras pessoas da nossa família… Passei a sexta-feira inteira arrasada. Começamos a ponderar todos os demais custos que teremos com a viagem, cruzar tudo que será necessário fazer (em Real e em Euro), e vimos que seria muito arriscado comprometer nossa renda.

Não que é que eu seja pessimista – ao contrário, sou otimista e sonhadora até demais – mas é preciso contar com a uma série de outros fatores também. Deu pra perceber que viajar com o Alvin não é simples. Eu sempre terei que contratar o serviço de um agente, e reservar essa grana toda vez que a gente quiser viajar. Ainda tem a nossa adaptação à vida no novo país, as nossas expectativas sobre o futuro lá, as viagens que queremos fazer pela Europa, ou mesmo as visitas ao Brasil. Não conseguiríamos manter esses custos… Infelizmente.

Foi difícil aceitar isso. Havia prometido pra mim mesma que a minha missão era manter a nossa família junta. Me senti fracassada… Chorei por algumas horas, olhando meu bichinho indefeso na gaiola, que me olhava de volta, com cara de “mãe, me dá cenoura?”. Não sei até que ponto os porquinhos da índia conseguem assimilar os nossos sentimentos, como os cães são capazes. Mas mesmo assim… Pedi perdão a ele. Perdão por não conseguir levá-lo com a gente, pelo menos, não nesse primeiro momento.

Expliquei que a mamãe precisa se planejar, e que seria irresponsabilidade minha levá-lo, mesmo sabendo que é possível que a gente não dê conta da parte financeira depois. Expliquei que esse lance de dinheiro é foda, que pega muito para nós, os humanos. É horrível ter que colocar “na mesma balança” o nosso planejamento financeiro e o amor que a gente sente por eles, os pets. São coisas tão diferentes…

Quem tem apego por esses bichinhos sabe que não tem dinheiro no mundo que pague a companhia deles. Eu não sei se ele entendeu… Mas pedi muito pra Deus me dar esse conforto. Nem ligo se as pessoas acham que eu sou uma idiota por estar lidando com isso dessa forma, viu? Só eu sei o que se passa no meu coração por ter que deixá-lo no Brasil…

Então ficou decidido que o Alvin ficará morando na casa do tio Vitão a partir de janeiro. O Victor é meu irmão mais velho, e ele se ofereceu com o maior carinho do mundo, a ficar com ele pra gente durante o tempo que for necessário. Apesar de ficar com o coração partido, sei que ele será muito bem cuidado e amado por eles aqui. A nossa ideia é continuar pesquisando sobre esse processo, fazer um planejamento geral dos custos, e decidirmos o que é melhor pro Alvin: seguir viagem e morar com a gente em Berlin, ou ficar no Brasil até que a gente volte.

 

Tio Vitão, Tia Rô, Amandinha e Rockynho! A família que acolherá nosso pequeno Alvin enquanto estivermos em Berlin
Tio Vitão, Tia Rô, Amandinha e Rockynho!

 

Caso a gente decida que ele deve ficar com a gente, teremos que contratar o serviço geralzão da PetWorkTravel. Eles inclusive, tomam todas as providências necessárias para recebermos o Alvin lá em Berlin.

Resumindo, galerinha… Acho que isso tá servindo pra eu aprender a lidar com a frustração. Sempre me dedico tanto para as coisas darem certo, que quando essas coisas acontecem, é como se eu tivesse perdido todo meu sentido. É coisa de Ariano, eu sei. Mas já está passando…

Obrigada a todos que vibraram com a ideia de que o Alvin seria um porquinho da índia muito chique, indo morar na Alemanha. Realmente foi muito bacana cogitar essa possibilidade, mas é preciso colocar os pés no chão, não é? Sei que nosso sentimento por ele sempre será o mesmo, e que ele sempre fará parte da nossa família! Espero que ele continue feliz, reclamão e guloso como sempre foi, e que complete a família do meu irmão, assim como sempre completou a nossa!

Vamos seguir…

Beijos

“Ainda é cedo, amor. Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora da partida sem saber mesmo que rumo irás tomar

Preste atenção, querida, embora eu saiba que está resolvida, em cada esquina cai um pouco a tua vida 

E em pouco tempo não serás mas o que és

Ouça me bem amor, preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar seus sonhos tao mesquinhos,  ai reduzir as ilusões a pó”

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1 Comentário

  1. Oi Nati! Não tinha visto esse seu post =/ Que bosta todo esse processo hein? Poxa, acho que o mais foda é criar a esperança e depois desmoronar tudo. Mas força que o Alvin ficará super bem cuidado! Beijo

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