#Chegamos – A despedida da família no Brasil, os cuidados com o Wisky na viagem e as minhas primeiras impressões sobre Berlin

Hora do café da manhã!

Este é o nosso terceiro dia aqui em Berlin. Acabei de acordar e são quase duas horas da tarde por aqui. Ainda não consegui regular muito bem o sono, porque chegamos no fim de semana, e estamos dormindo bem tarde. Além disso, estranhei bastante o fato de que aqui o dia é muito curto, pois começa a anoitecer lá pelas 16h. Daí fica aquela sensação que o dia já tá acabando e eu ainda tô um pouco perdida com os horários.

Saímos do Brasil às 19h do dia 14/01, mas confesso que deixei parte de mim naquele aeroporto. Prometi pra mim mesma que não iria ficar revivendo as cenas da despedida na minha cabeça, porque aqueles momentos foram os mais tristes que já vivi até agora. Quando chegamos, eu estava muito ansiosa para pesar o Wisky… Tinha muito medo que ele ultrapassasse o peso limite de 8kg pra poder viajar comigo, apesar da dieta e tudo mais. Quando coloquei-o na balança, olhei pra cima… E só espero o cara responder “Ok, tudo certo”. 7,5kg foi o peso total do meu peludinho + a caminha de transporte dele. Ufa!

A partir dali, foi só choradeira. A cada pessoa que eu abraçava da minha família, eu sentia que não ia conseguir soltar. Difícil ouvir o choro das pessoas assim de perto, sentir que a dor entre os nossos corações é a mesma. Pior foi a despedida do meu cachorro, Tunico. Os olhinhos aflitos de quem não está entendendo nada partiram meu coração. Teve uma hora em que ele e o Rocky (dog do meu irmão) ficaram juntinhos do Wisky no chão, todos se despedindo do priminho querido que estava indo pra tão longe… Me diga, como não desabar? Olhei pro Tunico quando passamos as catracas e disse que já voltava, para ele me esperar, como sempre faço antes de sair de casa. Depois viramos as costas, segurei a mão do Will e seguimos em frente… Como sempre faremos, de agora em diante.

Rumo à Berlin!
Rumo à Berlin!

 

Passamos pelo detector de metais sem grandes problemas, mas Wisky causou um certo furor por onde passou em todos os momentos da viagem. Aqui no GRU quase todo mundo olhava com carinho, alguns falavam com ele e até faziam carinho. Ficamos esperando o anuncio do vôo por um tempo, até que entramos no avião. Estava arrumando a bolsa do Wisky no chão, em frente ao meu acento, como recomendado pela Lufthansa, quando um comissário falou para o Will em inglês que o Wisky deveria permanecer lá dentro durante todo o trajeto.

Nos primeiros minutos da viagem eu realmente confirmei que Deus sabe das coisas! Ele me deu o cachorrinho certo para dividir comigo esses momentos que estou vivendo. Wisky pegou no sono assim que o avião decolou e ele se acomodou na bolsinha. Durante todo o vôo ele não deu um latido sequer! Fiz amizade no banheiro do avião com duas senhoras que estavam atrás da gente, e elas disseram que estavam curiosas sobre aquela bolsa no chão, e que ficaram muito surpresas quando peguei ele no colo e viram que era um cãozinho. Até brincaram que ele era mais comportado do que todas as crianças que elas já tinham conhecido. Vocês pais babões que me desculpem, mas essa é a mais pura realidade <3

O avião era super confortável e tinha uma telinha pra irmos assistindo filmes. Não estava muito com a cabeça para filmes, mas fui assistindo alguns ao longo da viagem. Quando serviram o jantar, dei a minha salada de tomate e pepino para o Wisky, que comeu tudinho, sem reclamar. Dei um pouquinho de água para ele na tampinha da garrafa, mas estava apreensiva sobre como ele faria xixi ali no tapetinho higiênico que estava forrando a bolsinha. Não consegui dormir bem no avião porque estava o tempo todo de olho no Wisky. Tinha medo que ele sentisse alguma coisa, que passasse mal ou algo assim, mas a única coisa que ele fez foi dormir tranquilamente.

Hora do café da manhã!

2016-01-17 (1)

Por um momento na madrugada, quando todas as luzes do avião se apagaram, Wisky saiu da caminha e me pediu colo. Eu o acomodei nos meus braços, contrariando a recomendação inicial daquele cara chato, e aí sim consegui dormir um pouco. Logo começou a amanhecer e eu estava morrendo de vontade de ir ao banheiro e esticar um pouco as pernas. Depois veio o café da manhã e o Wisky comeu o mamão picadinho que veio junto, e nada de sinal de xixi. Chegamos em Munich depois de 10h de vôo, levei-o num cantinho para ver se ele fazia algo e nada. Ele estava agitado com tanta novidade e cheio de energia, depois de tantas horas de sono.

Passamos pela imigração e aconteceu uma coisa curiosa. A moça simplesmente fez umas perguntas pro Willian sobre o que estávamos fazendo ali, ele respondeu, e valew, falows. Wisky estava dentro da bolsa, como orientado, o tempo todo. Pelo que a Cia aérea tinha comentado, a documentação dele (CZI) seria checada na imigração… A moça simplesmente nos liberou, nós saímos rápido para não tumultuar e ficamos parados uns instantes. Ué, e o CZI? Na mochila do Will coloquei uma pasta com todos os documentos do Wisky, cópias, e tudo mais que eles quisessem pedir. Foram quase 6 meses providenciando tudo que a imigração exige para a entrada de animais na Alemanha, uma graninha considerável para bancar tudo e muitas crises de ansiedade… para nada. Fiquei frustada, confesso. Me surpreendi com o fato de que as pessoas não se impressionavam pelo Wisky ali, como foi no Brasil. Os brasileiros do nosso vôo sempre faziam comentários fofos, e as crianças de um modo geral, também. Mas os oficiais, o pessoal do aeroporto e os alemães não achavam nada demais.

A única coisa que eles pediram foi para que o Wisky passasse andando sozinho no detector de metais. O que foi um show a parte, porque eu o coloquei no chão e ele simplesmente desfilou até o Will, que estava do outro lado. Naquela hora até o alemão mais carrancudo soltou um sorriso! 🙂 Depois entramos no avião que nos levaria até Berlin. Este era bem menor e menos confortável que o outro, por tratar-se de vôo doméstico. Acomodei o Wisky de novo a minha frente, mas dessa vez, ele pediu colo muitas vezes. Sabia que ele já estava muito e agoniado cansado a essa altura… Senti muita peninha dele. Fiquei fazendo carinho até que ele dormiu de novo. E a gente também. Depois que passou o estresse inicial e o corpo arriou, dormimos direto até Berlin. Quando vi os flocos de neve caindo lá pela janela do avião, quando aterrissamos, coloquei um agasalho no Wisky, vesti uma blusa pesada e descemos do avião.

Apertadinho no vôo de Munich a Berlin
Apertadinho no vôo de Munich a Berlin

Quando chegamos aqui, começaram os contratempos. Não importa o quanto você se programe, se organize e se prepare. As coisas sempre fogem do nosso controle e a gente precisa aprender a desencanar. Essa foi a primeira coisa que Berlin me ensinou. Nossas malas ficaram em Munich! Fomos até o local indicado para fazermos a queixa, foi quando o Will me perguntou como eram as nossas malas, para ele descrever pra moça lá na hora. Tive a ideia de pegar umas fotos que tinha no meu celular para mostrar… quando me dei conta que tinha esquecido meu celular no avião que nos levou até Munich. Tirei algumas fotos do Wisky durante o vôo para postar no Instagram dele… E como eu só fiquei prestando atenção nele a viagem toda, acabou ficando lá. Will me deu umas broncas e eu comecei a chorar…

Xinguei a cidade, a cia aérea e fiquei brava com Deus e o mundo. Enquanto ele comprava nossos tickets de ônibus, fui com o Wisky na rua para ver se ele fazia xixi… E senti o frio mais intenso que você pode imaginar. O vento invadia minha roupa, minha touca, as luvas. Tudo bem que eu não tava com um roupa muito quente mesmo, pois até então, eu só sentia calor de ter que carregar o Wisky. Foi quando olhei pra ele e vi que ele estava tremendo. Meu coração disparou e eu desabei a chorar mais ainda. Eu e o Willian o enrolamos com nossos agasalhos e cachecóis, o abracei bem forte e pedi pra Deus baixinho que aquilo fosse passageiro.

Chorei quase o caminho todo no ônibus. Estava puta pelo meu celular, pelas malas – Ah, ficamos apenas com uma que estava com as coisinhas do Wisky, por sorte! – chateada pelo Wisky estar sentindo frio e brava pelas nossas malas. Daí vi que o Will também estava chorando e quando perguntei porque, ele disse que estava feliz por estarmos ali. Esse foi mais um daqueles momentos da vida em que o Will me mostra o quanto eu sou egoísta, o quanto fico dramatizando as coisas e deixo de dar valor ao que realmente importa. Ele definitivamente é muito melhor nisso do que eu. Dei um beijinho nele, o parabenizei pela conquista e agradeci por ele ter nos trazido e cuidado da gente o tempo todo. Eu não falo uma palavra em alemão e to bem enferrujada no inglês… Ele toma a frente de tudo, carrega as malas, nos protege. Obrigada, amor! <3

Quando chegamos no nosso apartamento, Wisky ficou maluco! Corria pela casa, subia no sofá, parecia que estava dizendo “finalmente estamos em casa”. Gostei muito desse lugar! A sala é espaçosa, dá gosto de ver Wisky correndo por aqui. A região onde moramos tem muita coisa bacana, o apê é quentinho e tem tudo que precisamos, por hora. Na próxima semana, vamos começar a comprar o que está faltando para que aqui se torne um lar de verdade! Wisky fez xixi aqui no tapetinho higiênico depois de quase 14h. Ufa! Acho que ele acabou ficando tão desregulado quanto a gente, só não fala, tadinho.

Ficamos descansando até que as malas chegaram! Pude tomar um banho e trocar de roupa. Também fomos a um mercadinho aqui perto comprar uma coisa para comer, falei com a minha mãe pelo Gtalk e depois dormimos de novo. Acordamos às 14h de ontem! Tomamos café, nos agasalhamos – agora coloquei duas roupinhas no Wisky – e fomos dar um passeio por aqui. Fomos numa loja chamada Saturn comprar um secador de cabelo e uma chapinha pra mim (rsrs) e uma cafeteira também. Wisky a-do-rou tudo por aqui! Na rua fez xixi, cocô, cumprimentou alguns dogs e fez o maior sucesso! Ele estava lindo e elegante, mas sou suspeita, né?

Eu e o Wisky no nosso primeiro passeio em Berlin
Eu e o Wisky no nosso primeiro passeio em Berlin

 

Não vi tanta diferença na reação das pessoas em relação a ele, nem achei que os alemães são tão frios quanto dizem. Acho que vai de pessoa pra pessoa. Na loja, uma vendedora alemã de uns 45 anos de idade foi super simpática e sorridente, só que não falava bem inglês, já a moça do caixa era mais séria, deveria ter seus 30 anos mas falava inglês perfeitamente. Enfim, assim como no Brasil, deve ser em qualquer lugar do mundo. Tem gente simpática, gente séria, gente disposta a ajudar, e gente mais carrancuda. Talvez por conta da cultura, a proporção de pessoas sérias deve ser maior, mas todo são educados. A cidade é organizada, bonita, parece coisa de filme. Tem lata de lixo para todo lado, mas as pessoas jogam as bitucas de cigarro no chão. É mais limpa que São Paulo, mas tem esse problema. Muitos fumantes, muito cigarro no chão. Achei bacana a latinha de lixo, que tem um desenho pra gente jogar o cocô de cachorro nela.

2016-01-16 (14)

Na volta, deixamos o Wisky em casa com o brinquedinho que compramos para ele, e fomos no mercado de novo. Fizemos uma comprinha mais parruda e conheci uma família de brasileiros que me ajudou a achar o açúcar. Voltamos para arrumar tudo, tomei banho e conversei com a minha família novamente. Lá pelas 20h fomos até a casa de um casal de amigos do Will que está aqui há 4 meses, Júlio e Aline. Eles são super legais e nos receberam com um belo fondue! 🙂

Começou a nevar enquanto estávamos lá e na hora de ir embora, nos deparamos com a cidade toda branquinha de neve. Daí vocês já sabem, né? Brasileiro fica besta com neve. Will e eu voltamos cantando, brincando pela rua, mas não tive coragem de colocar ele no chão, com medo dele ficar doente ou queimar as patinhas no gelo. Mas de tão felizes que os papais estavam, Wisky foi balançando o rabinho mesmo no nosso colo. Ao chegarmos em casa, coloquei ele na neve e a reação foi a melhor! Ele correu, brincou com o Willian e ficou super feliz! Logo entramos no apê, e a nossa jornada já estava encerrada naquele dia.

2016-01-16 (9)

 

Acordei agora a pouco, quase 14h da tarde. O pessoal me disse que domingo é dia de fazer nada mesmo por aqui. O comércio não abre e o alemão valoriza muito esse dia com a família. Achei tão legal! Hoje vou aproveitar para colocar umas coisas em ordem na casa e fazer uma lista do que estamos precisando. Parece que amanhã as esposas dos meninos da empresa do Will que se mudaram pra cá também, vão sair para umas compras. Não conheço nada ainda, mas acho que vou pegar esse bonde. Como elas já estão aqui há alguns meses, já estão bem mais adaptadas. Sabe quando a gente é transferido de colégio, e chega no meio do ano? Pois é, tô me sentindo assim rs.

Hoje é aniversário do meu pai! Fico triste por não estar ao lado dele, mas deixei uma surpresa para ele lá em casa, e não vejo a hora de saber se ele gostou. Mais tarde vamos nos falar de novo, e de certa forma, continuamos nos sentindo perto.

Em breve, mais novidades da nossa vida aqui em Berlin.

Beijos <3

 

 

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8 Comentários

  1. Que aventura intensa, Nati! E o Wisky é definitivamente um Lord, hein? Logo você vai se acostumar com tudo e nem vai perceber, assim como é a transferência de escola =3 Estou muito feliz por vocês. Aliás, e o celular? Recuperou?

    Beijo

  2. Olá Nati!

    Encontrei seu blog porque estava procurando sobre pós-operatório de castração de cães e vejo que você acabou de viajar com o seu cãozinho pra Alemanha! Minha cachorrinha castrou ontem e está bem amuadinha. O engraçado é que também estou me preparando pra viajar com a minha dachshund pra Dinamarca e, provavelmente, iremos pela Lufthansa. Gostaria de saber sobre a caminha que você levou o Wisky e se foi rápido para tirar o CZI. Ela já tem os resultados da sorologia para raiva e estou um pouco perdida em como proceder para pegar o CZI.

    Com certeza vou ler seu blog com mais cuidado quando tiver mais tempo. Tudo de bom e boa sorte em Berlim. É um lugar lindo!

  3. amei o seu post!
    estou em processo de mudança para os eua, e estou aflita em relaçao a minha gatinha tomy!
    creio que na america eles são mais rigorosos com
    animais de estimação a bordo..
    seu pet é muuuuito fofo! 🙂 beijuxx

    1. Obrigada, Samantha! Wisky é lindo mesmo, mas sou suspeita <3 espero que dê tudo certo com a viagem da sua mascotinha. Volte sempre <3 beijos

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