Caminhada de bons sentimentos

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Às vezes, fico tentando resgatar na lembrança qual foi o exato momento em que eu me apaixonei por ele. Mas será que isso acontece num instante, ou a coisa vai despertando aos pouquinhos e aí nos damos conta? Ou será que a gente se apaixona exatamente quando se dá conta? Confuso, né? Lembro de uma porção de sensações fragmentadas, como o ciúme que eu senti quando ele elogiou uma garota na minha frente. Poxa, a gente ainda era só amigo e eu já sentia ciúmes? Malditos arianos. Lembro também que, antes mesmo de eu sentir qualquer coisa, fomos juntos a um shopping para comprarmos um presente para a menina que ele estava ficando. Quando chegamos na loja, a moça perguntou se éramos namorados. Respondi que não e me dirigi à arara de vestidos. Quanta coisa linda tinha naquela coleção de verão! Perguntei qual seria o limite de preço e ele disse que não havia. Na hora, eu pensei “queria ter um namorado assim…”. Pensei alto, pra variar. Ele ouviu e sorriu. Será que eu já tava apaixonada?

Eu não sou muito de ficar ligada em mensagem de texto. Também nunca fui muito colada nas amigas, daquele tipo que fica se falando o tempo inteiro. Na semana seguinte, nós estávamos de folga do trabalho e cada um foi para uma praia diferente. Ele, com os amigos e eu, com minha família. Passamos todos aqueles dias trocando mensagens o tempo inteiro… Aquilo tava estranho. Foi ele que se tocou primeiro de que a coisa já tinha passado de amizade. Logo que nos conhecemos, a gente não se suportava. Depois de um meses, conseguimos dar um brechinha para nos conhecermos e aí nos tornamos amigos. Daqueles com implicância, sabe? Um zoava o time do outro, ele escondia meu celular e me enchia o saco cada vez que eu viajava em alguma conversa. Para mim, ele era (e ainda é um pouquinho, vai) um troglodita e eu sempre fui a chata (agora, a chatinha ♥). Lembro que uma moça que trabalha com a gente falou uma vez: isso vai dar em casamento.

Ficamos pela primeira vez em janeiro de 2012, no estacionamento de um shopping. Não parei de falar durante todo o caminho do restaurante até o carro, quando ele me interrompeu com o beijo. Apesar de ser o contrário, tenho certeza que aquele não foi o primeiro beijo entre nós. Não sou espírita, mas acredito nesse lance de vidas passadas. Não foi só uma tremenda química nem a vontade que a gente tava. Foi muito mais… Foi uma lembrança, um reencontro, como se a gente estivesse esperando por isso muito mais do que 20 e 22 anos ♥ Soa meio clichê, eu sei. Quando qualquer pessoa me contava essas coisas, antes de conhecê-lo, eu pensava a mesma coisa. Mas bastou que eu encontrasse o amor da minha vida para sacar que isso é real.

De lá pra cá, rolou muito coisa. Não tivemos um começo de namoro tranquilo como a maioria dos casais. Passada aquela euforia das primeiras semanas, os embates entre as personalidades de um cara de escorpião, perfeccionista e desconfiado, e uma garota ariana, espontânea e traumatizada com o amor, começaram a aparecer. Ambos já haviam sofrido muito e era praticamente impossível confiar e acreditar que aquilo realmente pudesse dar certo. Penso que o nosso amor foi transformador ♥ Talvez seja por isso que a decisão de nos casarmos tenha chegado tão rápido para nós.

Tenho plena consciência de que tudo que ele fez e suportou durante esse tempo por mim, nenhum outro cara seria capaz de fazer e suportar. Foram tantos desencontros e tantos acasos que pareciam conspirar contra nós e contra a nossa verdade que, juro, não sei como a gente conseguiu seguir em frente. Foi aquele tipo de relacionamento em que ambos sofrem, mas não porque o outro o faz mal, mas porquê o relacionamento em si era bastante complicado e turbulento. Era uma sequência de provas de amor… Um relacionamento baseado na esperança de dias melhores e na espera de um dia podermos ficar juntos, sem nenhum empecilho.

Seguramos a onda e enfrentamos o segundo ano de relacionamento com mais maturidade. A confiança já existia e tinha nos dado a coragem para ficarmos noivos. A certeza de que a gente queria ficar MESMO juntos havia sido compartilhada com o mundo. Não foi fácil, mais um vez… Organizar um casamento e planejar o futuro exigem muita responsabilidade do casal. A escolha de fornecedores, às visitas aos locais dos sonhos, as decepções, as divergências de opinião, as dívidas, tudo isso sendo levado juntamente com a vida pessoal, o trabalho, os estudos, conflitos familiares… Correria total.

Hoje a realidade é outra. Depois que passou aquele terrorismo da primeira semana em casa, nós começamos a nos adaptar. Faz pouco mais de um mês que estamos casados e tudo é muito natural. Nem parece que um dia nós vivemos separados, sabe? É muito bom olhar para trás e ver que a gente conseguiu superar tanta coisa, amadurecer tanto em tão pouco tempo e construir uma relação forte, completa ♥

Dizem que quando uma coisa começa errado, termina errado. Se estamos só no começo da caminhada, e tá dando tudo certo, então, podemos confiar que será assim até o final.

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