Como viajar com pets pra a Berlin Parte 3 – A dor de ter que mudar os planos

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Usar a cabeça não mais à serviço do que meu coração quer, mas sim, para decidir o que é certo. Tá aí umas das coisas que esse lance de ir morar em Berlin tem me ensinado nos últimos tempos.

My little Guinea Pig <3
My little Guinea Pig <3

 

No post anterior, eu contei pra vocês quais são as documentações necessárias para levarmos o Alvin, nosso porquinho-da-índia, conosco para Alemanha. De fato, o processo é bem menos burocrático do que é preciso para levarmos o Wisky, nosso cachorro. Também já contei pra vocês todos os paranauês necessários para isso em outro post.

Porém, no final da semana passada, nós nos deparamos com uma série de imprevistos que nos fizeram repensar a nossa decisão.

Eu recebi uma informação totalmente equivocada de um dos atendentes de Lufthansa. No dia 19/11 entrei em contato com eles para esclarecer algumas dúvidas sobre o que seria necessário para levar o Alvin na viagem, já que a documentação já estava esclarecida.

Esse funcionário me disse claramente que nós poderíamos sim levá-lo conosco na viagem, inclusive, que seria possível viajarmos com nossos dois pets na cabine. Isso me deixou muito feliz e cheia de esperanças mas… Esse era só o começo de um enorme mau entendido e de muitas crises de ansiedade.

Passei uma semana viajando com a família, e no meu último dia de viagem, recebi uma ligação da pessoa responsável pela compra das nossas passagens (esse custo será pago pela empresa do Will) dizendo que, quando ela foi fazer a reserva dos nossos bichinhos no ato da compra, foi informada de que a empresa não transportava animais que não fossem cachorros ou gatos.

Chegando em São Paulo, liguei no mesmo número da Lufthansa, e comecei a cruzar as informações do primeiro contato com o que foi informado à empresa do Will. Realmente o cara tinha me dado informações erradas. Fiquei tão chateada com a notícia, que nem tive pique pra fazer escândalo… Só fiz questão de dizer o nome do funcionário, e deixar claro que isso havia afetado completamente os planos e os sonhos da minha família. 

Perguntei, então, se a moça saberia me dizer como eu poderia levá-lo, e se ela conhecia empresas que transportam outras espécies de animais. Só aí que ela me informou que a Lufthansa possui dois segmentos, um para transporte de pessoas, cães e gatos, e outro para objetos e animais considerados exóticos. Peguei o contato desse departamento, já emputecida com fato de que, para se obter informações sobre serviços no Brasil, você tem que ficar perguntando, extraindo informações. Parece que os funcionários não sabem o que estão dizendo e não se esforçam pra entender a necessidade do cliente.

Em contato com esse setor denominado Cargo (ou algo do tipo), fui informada que sim, eles transportam porquinhos-da-índia, PORÉM que não posso tocar o processo sozinha, pois eles não tratam direto com pessoa física, e que eu precisaria contratar os serviços de um Agente de Carga para fazer o trâmite pra mim. Esse cara é o Leonardo da PetWorkTravel, que mencionei no post anterior.

Mesmo sentindo uma pontinha de esperança… Levei um outro balde de água fria. Os prováveis custos envolvidos em todo esse processo para levá-lo são bem superiores ao que podemos pagar nesse momento. Juntando a taxa do serviço Leonardo, mais a “passagem” do Alvin, + a caixinha de transporte… dá um valor bem salgado pra gente dar conta agora.

E como se não bastasse essa tristeza, ainda recebi notícias ruins relacionadas a outras pessoas da nossa família… Passei a sexta-feira inteira arrasada. Começamos a ponderar todos os demais custos que teremos com a viagem, cruzar tudo que será necessário fazer (em Real e em Euro), e vimos que seria muito arriscado comprometer nossa renda.

Não que é que eu seja pessimista – ao contrário, sou otimista e sonhadora até demais – mas é preciso contar com a uma série de outros fatores também. Deu pra perceber que viajar com o Alvin não é simples. Eu sempre terei que contratar o serviço de um agente, e reservar essa grana toda vez que a gente quiser viajar. Ainda tem a nossa adaptação à vida no novo país, as nossas expectativas sobre o futuro lá, as viagens que queremos fazer pela Europa, ou mesmo as visitas ao Brasil. Não conseguiríamos manter esses custos… Infelizmente.

Foi difícil aceitar isso. Havia prometido pra mim mesma que a minha missão era manter a nossa família junta. Me senti fracassada… Chorei por algumas horas, olhando meu bichinho indefeso na gaiola, que me olhava de volta, com cara de “mãe, me dá cenoura?”. Não sei até que ponto os porquinhos da índia conseguem assimilar os nossos sentimentos, como os cães são capazes. Mas mesmo assim… Pedi perdão a ele. Perdão por não conseguir levá-lo com a gente, pelo menos, não nesse primeiro momento.

Expliquei que a mamãe precisa se planejar, e que seria irresponsabilidade minha levá-lo, mesmo sabendo que é possível que a gente não dê conta da parte financeira depois. Expliquei que esse lance de dinheiro é foda, que pega muito para nós, os humanos. É horrível ter que colocar “na mesma balança” o nosso planejamento financeiro e o amor que a gente sente por eles, os pets. São coisas tão diferentes…

Quem tem apego por esses bichinhos sabe que não tem dinheiro no mundo que pague a companhia deles. Eu não sei se ele entendeu… Mas pedi muito pra Deus me dar esse conforto. Nem ligo se as pessoas acham que eu sou uma idiota por estar lidando com isso dessa forma, viu? Só eu sei o que se passa no meu coração por ter que deixá-lo no Brasil…

Então ficou decidido que o Alvin ficará morando na casa do tio Vitão a partir de janeiro. O Victor é meu irmão mais velho, e ele se ofereceu com o maior carinho do mundo, a ficar com ele pra gente durante o tempo que for necessário. Apesar de ficar com o coração partido, sei que ele será muito bem cuidado e amado por eles aqui. A nossa ideia é continuar pesquisando sobre esse processo, fazer um planejamento geral dos custos, e decidirmos o que é melhor pro Alvin: seguir viagem e morar com a gente em Berlin, ou ficar no Brasil até que a gente volte.

 

Tio Vitão, Tia Rô, Amandinha e Rockynho! A família que acolherá nosso pequeno Alvin enquanto estivermos em Berlin
Tio Vitão, Tia Rô, Amandinha e Rockynho!

 

Caso a gente decida que ele deve ficar com a gente, teremos que contratar o serviço geralzão da PetWorkTravel. Eles inclusive, tomam todas as providências necessárias para recebermos o Alvin lá em Berlin.

Resumindo, galerinha… Acho que isso tá servindo pra eu aprender a lidar com a frustração. Sempre me dedico tanto para as coisas darem certo, que quando essas coisas acontecem, é como se eu tivesse perdido todo meu sentido. É coisa de Ariano, eu sei. Mas já está passando…

Obrigada a todos que vibraram com a ideia de que o Alvin seria um porquinho da índia muito chique, indo morar na Alemanha. Realmente foi muito bacana cogitar essa possibilidade, mas é preciso colocar os pés no chão, não é? Sei que nosso sentimento por ele sempre será o mesmo, e que ele sempre fará parte da nossa família! Espero que ele continue feliz, reclamão e guloso como sempre foi, e que complete a família do meu irmão, assim como sempre completou a nossa!

Vamos seguir…

Beijos

“Ainda é cedo, amor. Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora da partida sem saber mesmo que rumo irás tomar

Preste atenção, querida, embora eu saiba que está resolvida, em cada esquina cai um pouco a tua vida 

E em pouco tempo não serás mas o que és

Ouça me bem amor, preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar seus sonhos tao mesquinhos,  ai reduzir as ilusões a pó”

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Como viajar com animais de estimação para Berlin Parte 2 – Porquinhos da India

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Muitas pessoas dão risada quando explicamos que o Alvin é um Porquinho da Índia. Eu geralmente fico me perguntando porque elas acham tanta graça, porque pra mim, não faz tanta diferença assim qual é espécie do seu pet. “Ah, eu tenho uma cobra!”. Poxa, que demais! “Ah, eu tenho um camelo!”. Que foda, deixa eu dar um rolê nele? “Ah, eu tenho um peixinho!”. Peixes são fofos! Ele dá beijinho na ponta do nosso dedo? *-* Mania que eu tenho de achar que todo mundo é Pet Lover como eu rs.

Criar esse tipo de animalzinho tem lá suas particularidades sim. Eles tem um comportamento diferente de cães e gatos, são mais tímidos e gostam de ficar no cantinho deles, assim como os coelhos. Muita gente me pergunta qual é a graça que vemos no Alvin. Pois bem, quando o Will inventou de trazê-lo, eu também demorei pra entender qual era a pegada daquela bolinha de pelo. Mas bastou passar uns dias morando com ele, pra me apaixonar.

Sinceramente, não consigo diferenciar o amor que sinto por ele e pelo Wisky, meu cachorro. É bem aquela coisa de amor de mãe mesmo, sabe? Sim, ele não se faz tão presente quanto o Wisky, não demanda tantos cuidados diários e gosta de ficar na dele, mas o amor é exatamente o mesmo. Como eu disse no post anterior, quando decidimos nos mudar para Berlin, comecei a pesquisar tudo que era necessário pra levá-los com a gente.

De fato, o processo para levar cães e gatos já está pré determinado. É só seguir fielmente toda a programação até a sua viagem, que não tem erro. Em contrapartida, não encontramos nenhuma informação na internet sobre o que era preciso fazer para levarmos o Alvin também. Eu já estava ficando muito preocupada, com o coração apertadinho de ter que cogitar o nosso Plano B. Caso a gente não conseguisse de forma alguma levá-lo, ele ficaria morando com meu irmão até a gente voltar… Por mais que eu saiba que ele estaria em uma ótima família e seria super bem cuidado, não seria a mesma coisa. Uma parte da nossa família ficaria aqui, e esse não era nosso plano.

Entrei em contato com o Viagiagro do GRU, responsável por permitir a entrada e saída de animais do nosso país que, por sua vez, me pediu para que eu entrasse em contato com o Ministério da Agricultura. No Ministério também não sabiam me dar informações concretas sobre o que eu precisava fazer. E no meio dessas minhas pesquisas, acabei conhecendo o Leonardo da PetWorkTravel!

Ele é representante comercial dessa agência que trabalha justamente com transporte internacional de carga viva. Dentre outras atividades super bacanas, ele fazem toda a correria de emissão de CZI por você, por exemplo. Acho que a contratação desse tipo de serviço é muito interessante, principalmente pra quem não tem muita disponibilidade para pesquisar e providenciar todos os detalhes. Cada país possui suas próprias exigências, e essa parte burocrática dá realmente muito trabalho.

Quando comecei a pesquisar as coisas, fiz por minha conta, me envolvi muito no processo. Foi cansativo, tive muito receio, mas acabou dando certo. Falei com muita gente, “bati em muitas portas”, mas acho que se tivesse conhecido o trabalho deles no começo, avaliaria essa possibilidade de contratar a assessoria deles sim! O Leonardo acabou me ajudando bastante com todo processo de levantamento de dados sobre a documentação, pra conseguirmos levar o Alvin pra Berlin. Temos cá nossas desconfianças de que talvez ele seja  o primeiro porquinho do Brasil a ir morar na Alemanha! <3 É mole? rsrs

Bom, nesse meio tempo, acabei recebendo um retorno do Ministério, formalizando que o Brasil não possui nenhum modelo de certificado de exportação previamente acordado com a Alemanha para porquinhos-da-Índia. Certo. Mas isso também não deve significar que eu posso enfiar o Alvin na bolsa, e simplesmente achar que tudo bem, né? Foi então que eles me orientaram a solicitar junto ao Serviço Veterinário Oficial da Alemanha (what?) um documento chamado “Import Permit”, onde teoricamente estariam descritas as exigências alemãs para a entrada do animal.

Comecei a ficar preocupada novamente, só imaginando que poderia rolar alguma puta burocraria desconhecida que, das duas uma: ou eu ficaria louca até descobrir, ou não seria possível levá-lo conosco. Comecei a pesquisar insanamente se porquinhos são transmissores de alguma doença específica. O trampo todo pra levarmos cães acontece justamente porque ainda há casos de raiva  no Brasil. Como essa doença já é erradicada na União Europeia, a gente precisa provar que o animal não possui o virus. Vi que porquinhos não são considerados transmissores de nada, e isso me deixou mais tranquila.

Consegui uma resposta do Consulado da Alemanha aqui no Brasil, e eles me disseram que, para a importação de até 3 porcos de índia (Meerschweinchen em alemão), eu não precisaria de nenhuma documentação. Eles também me disseram que não existe um “import permit” (como o Ministério havia cantado a bola) para a importação dessa espécie para lá.

Dei pulos de alegria! <3 Sim, ele vai com a gente!

O Leonardo acabou conseguindo o mesmo feedback, acionou os contatos dele lá do GRU e conseguiu uma resposta do Aeroporto de Frankfurt , confirmando que REALMENTE, pra até 3 porquinhos da índia acompanhados dos donos, e viajando como excesso de bagagem acompanhada, a Alemanha não possui requisitos sanitários. Não precisamos nem do tal “Import Permit” nem de CZI! O único documento que devemos apresentar é um simples Termo de Responsabilidade que o pessoal do Ministério me enviou, apenas como um garantia para nós  e para o Vigiagro do GRU. Por via das dúvidas, vamos fazer cópias nos três idiomas (português, inglês e alemão).

Quando nós nos propomos a criar um canal na internet pra compartilhar nossas experiências, seja no Youtube, ou como o caso do meu blog, temos uma puta responsabilidade, né? Portanto, eu queria deixar claro que caso você tenha algum animalzinho e queira viajar com ele, pesquise bastante. Cada país possui suas próprias regras, permissões, neuras e cultura. É muito provável que o que eu dividi com vocês aqui seja válido para toda a União Européia, mas ainda assim, vale checar como funciona em cada lugar, ok?

Agora que a documentação dos dois já está esclarecida, estamos na busca pelas caixinhas de transportes e já em contato com a Lufthansa, Cia área pela qual viajaremos. Mas isso é papo para outro post!

Obrigada a todos que estão torcendo pra que nossa família fiquei junta nessa nova jornada! Tenho recebido muito carinho e apoio de todos que estão acompanhando esse processo. Sim, dá um baita trabalho, mas pelo amor a nossa família qualquer esforço vale a pena!

Beijos

 

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Contato do Leonardo:

www.petworktravel.com.br
Leonardo Dias | +55 47 9695 3108
Fone: +55 47 3083 8482
Whatsapp: 11 97046 8523
falecom@petworktravel.com.br
leonardo@petworktravel.com.br

 

 

 

 

 

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Mire o ponto.

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De tempos em tempos, surge em minha mente, teorias que são fruto de algumas fases da minha vida. Uma ideia que permeia meus dias e que me faz ser mais forte. Afinal, acredito que a cada 24h, devemos procurar algo, algum sentido que nos faça continuar, que nos faça mover.

Pelo o que você escolhe viver todos os dias?

Eu sempre acreditei em algo que não sabia muito bem o que era. E é aí que entra a teoria do momento. Sabe aquele “plim,” que nos ocasiona em um instante, que já nem podemos mais lembrar qual foi, mas que persiste e invade, tomado pela necessidade de dar sentido a esse rizoma chamado vida.

Insight, intuição.

Com uma mão sã que nos toca no intuito de conversar. Mas, pera ai, de onde vem essa força enigmática e poderosa? Ops. Não! Ela não vem. Ela está! Pois é. De maneira muito tímida e por muitas vezes escondida.

E a teoria diz que, se desenhássemos um quadrado em um folha branca e, em algum lugar que não seja o meio, marcássemos um ponto com uma caneta de tinta preta, e no restante do quadrado, preenchêssemos com giz de qualquer cor, o ponto preto representa aquilo que realmente somos.

A parte preenchida por giz é aquilo que as pessoas enxergam de nós. Mire o ponto. Abrace o ponto. Ame o ponto. E deixe o ponto voar.

 

Por: Fernanda Motta. Bailarina e Professora de Pilates.

intagram.com/fehmotta

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Como viajar com animais de estimação para Berlin Parte 1 – Processos e exigências pra Cães

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Ohana quer dizer família, e família quer dizer “nunca abandonar ou esquecer”. (Lilo e Stich – Filme)

 

Eu sempre brinco com o Will que desde que nos casamos, nunca fomos apenas um casal. O Alvin (nosso porquinho da índia) veio morar com a gente logo na primeira semana, e dois meses depois o  (nosso Shitzu) também já fazia parte da gangue. Nossos peludos não são apenas animais de estimação, eles são membros da nossa família!

A primeira foto da família completa! <3
A primeira foto da família completa! <3

 

A decisão de nos mudarmos para Berlin só foi tomada quando confirmamos que seria possível levá-los com a gente. Por sorte, encontrei esse post do blog “Pequenos Monstros” logo na primeira pequisa, o que me tranquilizou muito! <3

A Debbie Corrano e o Felipe Pacheco são um casal muito fofo que decidiu morar em vários países diferentes e registra todas as experiências deles no blog! #tantacoisaemcomum

Nesse post, eles contam todos os detalhes sobre o que foi preciso fazer para levar os dogs Luca e Lisa nessa jornada. Coincidentemente, o primeiro destino deles também foi Berlin, então deu para seguir religiosamente esse roteiro vivido e validado pelo casal!

O post deles está bem completo e serve como um guia geral para qualquer pessoa que queira levar seu animalzinho para a União Europeia. Eles falam sobre segurança, companhia área, documentação, exames, planejamento, custos… tudo!

Eu vou postar as etapas do processo – que ainda está em andamento – já que estamos levando dois animais de espécies diferentes. Antes de começar, quero pedir duas coisas para vocês: quero que vocês considerem esse post como válido só quando pisarmos em Berlin com nossos peludos. Até lá, os nossos planos podem mudar. A 2ª coisa é que vocês rezem e torçam junto com a gente para que nossos planos não mudem! rs. Dá um trabalhão pensar em tudo, correr atrás das informações e é muito ruim lidar com o medo de que algo dê errado.

Eu decidi começar com as informações do Wisky, nosso cãozinho, pois é o processo mais trabalhoso. As informações sobre o transporte do Alvin ainda estão meio cruas, por isso vou tratar em outro post, quando tudo estiver alinhadinho.

O trampo para se levar um cachorro (as orientações básicas também servem para gatos) para outro país é muito grande. Todos os trâmites que envolvem a documentação e a liberação para embarque do animal devem começar no mínimo 4 meses antes de viagem. No nosso caso, a coisa estava tão iluminada por Deus que todas as datas coincidiram com o planejamento geral da mudança.

Para que o Wisky possa viajar com a gente, foi necessário providenciar todos os exames e documentos exigidos para emissão do CZI. O Certificado Zoossanitário Internacional é o documento que atesta que o bichinho tem todas as condições sanitárias exigidas para o trânsito internacional até o país de destino.

O que é preciso pra conseguir o CZI: aplicar um microchip subcutâneo no animal, vaciná-lo contra raiva, coletar uma amostra de sangue dele para processamento de uma sorologia, no laboratório autorizado pela UE, exame que comprovará que ele não possui raiva, agendamento com o Vigiagro no GRU e demais providencias pro embarque.

1. Microchipagem: O microchip é um micro-circuito eletrônico, de tamanho aproximado a um grão de arroz, implantado sob a pele. O microchip para animais contém um código exclusivo e inalterável que transmite informações específicas sobre ele, que serão checadas no embarque e na chegada ao país de destino. (Mais informações sobre o processo aqui)

Mais ou menos 5 meses antes da data prevista para o embarque, você deve microchipar o seu cão. Depois disso, você deve vaciná-lo contra raiva em uma clínica particular. Comprovantes de vacinação realizada em mutirões da prefeitura, por exemplo, não são aceitos. Ah, é obrigatória a aplicação do microchip antes da vacina, ok?

Nós fizemos a aplicação do Microchip dele no Instituto Veterinário de Imagem e o custo foi de 150 reais. Basta agendar o horário e levar o animalzinho. O processo é rápido e indolor, pode ficar tranquilo!

2. Vacinação e coleta de sangue: 30 dias após a aplicação da vacina anti rábica – é preciso esperar esse tempo para que o bichinho produza os anticorpos acionados pela vacinação –  nós levamos o Wisky para coletar a amostra de sangue no mesmo local onde aplicamos o microchip.

Quando contei o motivo do agendamento da coleta, a equipe do IVI já sabia todos os procedimentos necessários e ficaram responsáveis pelo envio da amostra para o Laboratório de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores, único laboratório responsável e reconhecido pela UE para processamento desse exame no nosso país.

Esse exame solicita o Laudo da Sorologia Anti-Rábica e o número de anticorpos que seu pet precisa ter é de no mínimo, 0,5 UI/ml. Esse resultado assegura que ele não possui raiva.

  • Data da vacinação anti rábica do Wisky: 11/07/2015 na clínica da Dra. Satie Kano. Informações que devem ser preenchidas na carteirinha de vacina do seu animal para emissão do CZI: selo desta última vacina constando fabricante, lote e data de fabricação, data da vacina, validade, o carimbo e a assinatura do seu veterinário. Custo: 80 reais.
  • Data da coleta do sangue para sorologia dele: 13/08/2015. O processo me assustou um pouco no começo, pois eles coletam da jugular (veia do pescoço). É um processo indolor e confortável para o animal e o sangue coletado é de melhor qualidade para a análise. Wisky não esboçou nenhuma reação, ficou quietinho e foi bem rápido. Mais informações sobre como é a coleta de sangue nesse link. Custo: 298 reais.

3. Processamento e resultado da sorologia: O resultado da sorologia do Wisky chegou no dia 10 de setembro, pouco menos de um mês após a entrada na amostra no laboratório. Como ele é um cãozinho jovem e saudável, e as suas vacinas estão super em dia, não tivemos problemas! O resultado deu 5,40 Ul/mL, bem mais que o mínimo exigido.

4. Entrada com o pedido de CZI: É preciso esperar 90 dias contados a partir da data da coleta do sangue – ou seja, até o dia 10 de novembro – para entrarmos em contato com o VIGIAGRO do Aeroporto de Guarulhos (telefone: (11) 2445-3683) e pedirmos uma orientação sobre os próximos passos.

Seguindo o que foi feito pela Debbie e pelo Felipe, nós teremos que agendar por telefone um horário com ele no máximo, 10 dias antes do nosso embarque. Como nós ainda não temos essa data, precisamos ficar muito atentos. A ideia é viajarmos para Berlin na primeira semana de janeiro, portanto, precisamos salientar possíveis folgas e emendas do pessoal que trabalha nesse departamento. Também é necessário solicitar um modelo de Atestado de Saúde, seguindo as exigências da Alemanha.

5. Encontro com a Vigiagro e Atestado de Saúde: 

No dia marcado no contato por telefone, será necessário levar um Atestado de Saúde Veterinário emitido em até 72 horas antes do seu horário na Vigiagro. Logo, teremos que marcar uma consulta com a Dra. Satie assim que souber a data do agendamento. Esse atestado tem validade de somente 3 dias corridos (72 horas) até a emissão do CZI. Se a gente passar desse período, nosso documento será invalidado.

O Atestado de Saúde deverá ser datado, assinado e carimbado com o nome do Médico Veterinário particular e respectivo número de registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária. Esse documento deverá conter a identificação completa do animal: nome, espécie, sexo, raça, data de nascimento, idade, número de identificação do microchip ou tatuagem, quando exigidos, cor, tipo de pelagem, data de nascimento, além do nome completo, endereço, telefone para contato e documento de identificação do proprietário do animal (documento de identidade ou passaporte).

No Atestado de Saúde o Médico Veterinário responsável deverá declarar que “o(s) animal(ais) identificados foi(ram) POR MIM examinado(s) estando clinicamente sadio(s), não apresentando sinais de doenças infecto contagiosas e parasitárias à inspeção clínica e apto(s) para o transporte, na data da emissão deste documento”. Esta informação deverá constar de todos os atestados de saúde expedidos como subsídio à emissão do CZI.  Alguns países possuem exigências específicas que precisam ser declarados (o dono precisa checar isso).

Próximos passos: Na semana que vem, farei esse primeiro contato com o Vigiagro, vou bater essas datas com ele e marcar o dia para emissão do CZI. Até lá, o Will já saberá a data da nossa viagem para Berlin. Em paralelo, vou procurar a melhor caixa de transporte para ele e fazer de tudo para que ele possa ir comigo na cabine. A ideia de despachá-lo e ficar longe dele pelas 12 horas do vôo me apavora! Também vou continuar na batalha para entender o que é necessário para levarmos o Alvin.

Quando esses três pontos estiverem concluídos – Emissão do CZI, Viagem do Wisky e Trâmites do Alvin – eu faço posts novos e detalhados.

Conto com a torcida de vocês para que tudo dê certo! Se souberem de alguma informação que possa me ajudar, ou se tiverem alguma dúvida, é só comentar! 🙂

Beijos <3

 

 

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Castração – Dúvidas, cuidados e comportamento do cão durante o pós operatório

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Sempre costumo dizer que nós, os Dog Lovers, nos identificamos rapidinho. Nunca fiz amigos indo ao mercado ou à farmácia, mas já conheci muita gente legal no Pet Center, na Cobasi, ou mesmo na rua passeando com meus pets. Acho que os próprios cachorros fazem essa aproximação entre si, e isso acaba quebrando o gelo e fazendo com que os donos também conversem.

Esse assunto me interessa muito! Gosto de ler sobre comportamento canino, adestramento e tudo o que envolver o universo dos cães. Como eu tive que ralar muito para convencer meus pais a trazer a Nico pra casa, pesquisei bastante sobre tudo isso, pra poder montar meu discurso e finalmente convencê-los de que aquela era a melhor coisa que poderíamos ter feito pela nossa família <3

Há algum tempo fiz um post falando sobre os cuidados no pós operatório dos cães, tentando compartilhar a minha experiência como dona. Pouco ou quase nada se fala sobre isso na internet. A gente encontra N informações sobe os benefícios, mas nunca encontrei ninguém relatando o que acontece, como a gente deve cuidar, como eles reagem, e como nós devemos nos preparar. Acabei aprendendo na marra, sofri um bocado e me surpreendi com uma série de coisas que acontecem depois da cirurgia.

Meu post tem recebido muitos comentários desde que o publiquei! Sinto uma satisfação tão grande quando vejo que consigo ajudar os outros donos com essas informações, que posso tranquiliza-los ou encorajá-los a tomar essa decisão. E foi com base nesses comentários (obrigada, galera!) que eu decidi fazer um post com as dúvidas e receios que todos nós, Dog Parents, nos deparamos durante a castração dos nossos pets.

Vamos lá?

1. Preparação: Como devo deixar o ambiente para recebe-lo depois da cirurgia?

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O pet deve dormir em uma caminha mais baixa pra que ele não se esforce muito para subir ou descer. Coloque cobertores quentinhos, limpos e macios, e uma roupa sua, pra que ele sinta seu cheirinho, durma e descanse tranquilamente. O local onde ele vai permanecer deve ser arejado e aquecido. Não deixei que ele acesse escadas, suba em sofá e camas, ou fique em locais muito escorregadios e deixe tudo no esquema: caminha, brinquedos indicados, água, comida, tapetinho/jornal e… Você.

2. Comportamento: É normal que o pet fique de canto, escondido e com cara de dor?

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Sim, é super normal, principalmente nos primeiros 3 dias. Depois disso, se ainda parece que ele sente muita dor, vale bater um papo com o vet. Toda reação pós cirurgia tem uma estreita relação com a personalidade do cão. Tem que uns que são mais dramáticos, outros são mais bonzinhos, outros mais agitados. Faz parte.

O Nico aparentava muita dor no começo, mas depois me parecia mau humorado, incomodado com a roupinha, não queria brincar e nem passear. Como ele é um cão mais bravo, marrentinho e de personalidade forte, eu sabia que ele tava de saco cheio de tudo aquilo, mas eu já notava que não era mais dor. Já o Wisky não aparentou tanta dor, e me parecia meio cansadinho, mais dengoso, pedia colo. De vez em quando ele brincava com os ursinhos, mas nada muito agitado.

Ou seja, se você é um bom dono, certamente saberá identificar quando a reação é normal ou não.

3. Apetite: É normal que o pet fique sem sede e sem fome?

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Sim, é completamente normal. Mas isso não quer dizer que esse quadro deve permanecer por muito tempo. Não é bom forçar a barra com a comida no início. Os animais são muito inteligentes e conhecem os próprios limites de seu organismo. Eles sabem que tem algo diferente acontecendo, que talvez não vai cair bem bater aquele pratão de ração, ou que se beberem água, pode dar um certo enjôo. Por isso eles ficam um tempinho na deles, tentando assimilar e se recuperar. Quando a fome e a sede apertam, instintivamente, eles buscam água e comida.

Porém, cabe ao dono monitorar todo esse processo natural que eles passam e interferir quando necessário. Por exemplo: eles até podem ficar um ou dois dias sem comida, mas não podem ficar muito tempo sem água em hipótese alguma. Caso ele não esteja sentindo sede, você pode tentar dar água para ele em um recipiente diferente (desperta a curiosidade), ou pode jogar uns jatinhos de água com uma seringa, ou mesmo usar um algodão molhado. Depois que fizer isso, deixe o potinho cheio de água por perto pra que ele comece a ir sozinho até ele.

Se ele não quiser comer a ração, você pode fazer umas papinhas de legumes, arroz integral, franguinho cozido. Nada com muito tempero, mas uma alimentação balanceada, diferente e apetitosa certamente vai despertar a fome dele. Com o passar dos dias, vá misturando à ração e volte à rotina alimentar normal ao final da recuperação.

4. Hábitos e rotina: Ele pode brincar e passear normalmente? Tenho outros pets, e agora?

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É muito importante que você faça seu cão perceber que está tudo bem. Privá-lo de fazer as coisas que ela gosta só vai deixa-lo mais apreensivo. Você pode guardar aqueles brinquedos que o deixam mais agitado (como as bolinhas, por exemplo) e comprar uns dois brinquedinhos novos que agucem a curiosidade, a fome e a concentração, como ossinhos e brinquedo de borracha (que também despertam a sede!).

A rotina de passeios deve ser mantida, mas você pode optar por horários mais tranquilos e frescos, levá-lo a lugares limpinhos onde vocês possam sentar na grama e curtirem uns minutos juntos, descansando. Isso vai deixa-lo muito feliz!

Se você tem outros animais em casa, vale uma análise mais crítica. Se os outros forem muito agitados, avalie se não vale a pena deixa-los na casa de alguém de confiança nos primeiros dias, enquanto o cão em recuperação passa pela fase mais sensível da cirurgia. Se isso não rolar, você pode deixar o cãozinho no local mais tranquilo da casa, distante dos outros, até que ele comece a se sentir melhor. Depois disso, reaproxime a matilha com cuidado e monitore as brincadeiras e as possíveis tretas que sempre rolam entre eles.

5. Medicação e cuidados: Ele deve tomar remédios? Como devo proteger o local do corte?

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A medicação será pré determinada pelo veterinário. Provavelmente ele receitará um antibiótico, um anti-inflamatório e dipirona, para aliviar a dor. Para proteger o corte, recomendo o uso das roupinhas cirúrgicas (compre dois ou três, pois é provável que ele molhe quando for fazer xixi, e vc precisará trocar) e do cone da vergonha, para animais muito grandes ou muito pentelhos. Fique de olho se o curativo está sequinho, se não tem sangue ou pus, e se não tem nenhum sinal de alergia. Wisky ficou todo vermelhinho em volta do esparadrapo, por isso tive que entrar com uma pomadinha pra aliviar.

6. Reações estranhas: Vômito é normal? Ele pode ficar desidratado? E se ele não fizer cocô e nem xixi?

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Essas são questões bem particulares que devem ser acompanhadas pelo vet de confiança. Meus dogs não vomitaram, mas o Nico demorou uns 4 dias pra fazer cocô (tivemos que dar uma colherzinha de Activia pra ajuda-lo), e o Wisky segurou o xixi por um dia inteirinho.

Ah, importante: não se assuste com o xixizão que eles fazem depois da cirurgia! Os vets dão muito soro para eles, por isso fazem tanto assim. O cheiro também permanece forte por uns dias por conta da medicação. Eles ficam com receio por causa dos pontos e da roupinha, mas é fisiológico, uma hora dá certo. Você pode tentar levá-lo ao jornal/tapetinho de vez em quando, para encorajá-los. Eu fiz isso com o Wisky, e fiquei segurando-o pela barriguinha, e aí ele fez!

Eles só ficarão desidratados se você não seguir as recomendações acima e ele ficar muito tempo sem água. O vômito acontece quando alguma comidinha não caiu bem, ou os antibióticos estão agindo na barriguinha deles. Acontece com a gente também, né?

7. O papel do dono: Como eu devo agir com meu cão?

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É responsabilidade do dono monitorar todas essas reações e identificar quando algo está fora do normal. Como eu disse, você também deve fazer com que o pet perceba que está tudo bem. Portanto, segure o drama e tente agir normalmente. Sorria, brinque, transmita tranquilidade, dê bastante atenção, mas respeite o espaço e o tempo dele. É bacana evitar visitas em casa, barulhos e agitação, se você sabe que esse tipo de coisa agita/estressa seu cão. Nico tá acostumado com casa cheia, e dá atenção se quer e quando quer (ainda me questiono se ele não é um gato disfarçado de Lhasa Apso viu? rs). Já o Wisky fica agitado com gente em casa sim. Só meus pais foram fazer uma visitinha rápida pra ele, e como ele tá acostumado com os dois, gostou muito, fez muito bem.

8. Programação: Como devo me programar para a cirurgia?

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O ideal é que algum membro da família, responsável e apto para dar conta de tudo que escrevi até agora, fique com ele durante todos os dias do pós operatório. Cachorro é igual criança, se você se distrai, apronta alguma. Tenho certeza que nenhum pai deixaria seu filho com menos dez anos de idade sozinho, enquanto se recupera de uma cirurgia. Encaixar esses dez dias em suas férias é uma boa opção, assim como eu fiz. Se não tiver jeito, você pode pedir a ajuda de algum parente ou amigo disponível, que possa ficar com ele enquanto você está fora, e que tenha  uma boa relação com o cão. Eu ainda prefiro a primeira opção, seu cão sempre vai querer estar perto de você.

9. E quando o coração da gente aperta de dó?

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Não se esqueça de que você tomou a melhor decisão para o seu cãozinho, e que todo esse processo dura apenas alguns dias.  E o que são alguns dias comparados a uma vida mais saudável e feliz, não é mesmo? Pensamento positivo, confie na posse responsável e tenha fé que tudo dará certo. Logo logo seu pentelhinho tá de volta à ativa!

Beijo, galera!

 

 

 

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